Princesa do Carnaval baiano
Falar com Claudia Leitte é missão quase impossível. Depois de
inúmeras tentativas de entrevista, a cantora finalmente aceita receber a
equipe da Dia-a-Dia em um quarto de hotel em São Paulo. O ambiente é
extremamente pequeno para as 12 pessoas que disputam o espaço, entre
assessores, maquiadores, produtores, assistentes, equipe de reportagem e
o marido, que observa tudo e ajuda a organizar a agenda atarefada da
artista. É no colo dele que ela dá pausa na sessão de fotos para devorar
um iogurte. Claudia gosta de muita gente à volta. E de cuidados também.
No momento em que pisamos no quarto do hotel, a cantora recebia
retoques na maquiagem e mal reparou quando a equipe chegou. Preferiu
comunicar-se por meio dos assessores, que falavam baixo para não
incomodá-la.
“Ela está arrasada pelo que aconteceu”, disse um deles. Claudia estava mal pela internação da avó, Nilza Leite, que faleceu poucas semanas depois.
“Ela é a neta preferida”, disse uma das assessoras.
Apesar dos momentos difíceis, a cantora não perdeu o rebolado,
literalmente. Quatro dias após a morte da avó, já estava pulando em
cima de trio elétrico no Amapá. Diz que sua vida parece um filme, com
trilha sonora e tudo.
“Acho que vim de lá do céu com a música no chip”, brinca.
É claro que o principal som não poderia ser outro que não fosse
o axé. Nascida no Rio de Janeiro, a cantora foi para Salvador ainda
bebê e cresceu influenciada pelo ritmo. Não à toa. Atrás da casa da
cantora havia a sede do Olodum e também a residência de um dos maiores
nomes do samba baiano, o já falecido Batatinha, que era seu vizinho.
“Fui
escolhida pelo axé. Não tinha como não cantar músicas relacionadas à
Bahia. Lembro que colocava uma saia bege e amarela da minha babá e ia
pra casa dele (Batatinha). Rolava samba e roda de viola. E eu lá no
meio.”
A TODO VAPOR
Aos 31 anos, o corpo definido de Claudia Leitte faz inveja a
muitas garotinhas. Ela diz que não se esforça para mantê-lo, porque o
cotidiano agitado em cima dos trios elétricos ajuda a esculpir as
formas.
“Faço muitos shows aos fins de semana. É isso que me dá preparo físico para o Carnaval.”
Mas, como toda mulher, acredita que poderia estar melhor. Tem
mania de prometer para si que vai fazer algo para aprimorar o
condicionamento no Carnaval, mas não consegue inserir outras atividades
ao dia a dia.
“Acabo perdendo peso porque não consigo conciliar a rotina com a academia.” O que faria muita mulher pular de alegria é uma preocupação para a cantora.
“Não acho bom emagrecer muito, acabo queimando minha massa muscular, não tenho excesso de gordura.”
O segredo dela para manter as curvas e ganhar energia é adicionar um shake de proteína e carboidrato ao cardápio.
“Tudo
isso é pensando no trabalho, para que eu tenha estrutura para
trabalhar, manter o ritmo no Carnaval. Para o meu corpo, o que vier é
lucro.”
TEMPO DE FOLIA
Foi-se o tempo do Carnaval das marchinhas de rua, voltado para a
cultura e expressão popular. Com o passar dos anos, o movimento
tornou-se mais comercial e – por que não dizer? – elitizado. Nas
avenidas do samba espalhadas pelas principais metrópoles, carros
alegóricos megalomaníacos e corpos expostos ao exagero pintam a imagem
do Brasil para o Exterior. Claudia vê a mudança com bons olhos, mas
acredita que estrangeiros ainda têm muito o que conhecer por aqui.
“Eu
acho bonito que tenha corpos no Carnaval. Tem gente que quer pôr o
peito pra fora, tem gente que quer beijar na boca, mas não é só isso. Há
muito mais que essa coisa tupiniquim de penachos, bundas e peitos. Acho
que nosso Carnaval é pouco explorado e conhecido lá fora.”
Apesar disso, artistas gringos do naipe de Bono Vox, do U2; do
produtor musical norte-americano Quincy Jones; de David Guetta e de
FatBoy Slim já tiveram a experiência de tocar em cima do trio.
“O
Carnaval é muito importante para nossa economia e cultura. Expõe nossa
maneira de receber bem, de ser um povo que luta contra as adversidades e
que transforma as coisas mais simples em arte”, opina a cantora.
No Nordeste, os trios elétricos são febre, e lá Claudia é
princesa de um reinado liderado pelas veteranas Daniela Mercury e Ivete
Sangalo, com quem jura não ter nenhuma rivalidade.
“É lenda. Acho
que vendem mais revista com isso. Daniela e Ivete têm mais tempo de
carreira que eu, são divas. Sou apaixonada pelas duas. São minhas
referências de sucesso.”
Mas a mídia não cansa de publicar o contrário. Fato que chegou a
preocupar Claudia no início da carreira, mas que hoje não tem a menor
importância para ela.
“Não tenho espaço para nada disso na minha
vida. No começo, eu até pensava se as duas achavam que eu não gostava
delas por causa de tudo o que sai na mídia. Achei que elas podiam pensar
mal de mim por causa disso. Mas hoje digo que só tem paixão e
admiração.”
PASSEANDO POR OUTROS RITMOS
Não há dúvidas de que o som do axé transita pelas veias da
cantora. Aliás, por todo o corpo, que se move com naturalidade em cima
do palco ao som das canções agitadas. Em 2011, no entanto, Claudia
experimentou um pouco das sensações de outros ritmos. Participou da
última edição do Rock in Rio e acabou vaiada pelos metaleiros, embora
negue o ocorrido.
“Não teve vaia nenhuma. Não ouvi isso. Foram pouquíssimas pessoas que fizeram e levaram para a internet.”
A cantora, que não tem sangue de barata, fez questão de responder às críticas e a polêmica veio à tona.
“Tudo
ficou pior por minha culpa, porque respondi e acabei jogando um
holofote nessa questão. Há muitas pessoas maldosas. Hoje em dia não
responderia mais. O Rock in Rio foi perfeito.”
Além do rock, Claudia Leitte misturou seu axé baiano com a
música pop porto-riquenha do ex-Menudo Rick Martin, com quem gravou o
clipe Samba.
“Foi lindo gravar com o Rick. Ele é um cara espetacular, ser humano de ouro e artista fenomenal”, elogia.
FAMÍLIA EM PRIMEIRO LUGAR
Para Claudia, a família está no topo da lista de prioridades.
“Esqueço
de mim, saio me abotoando no carro, não como, deixo para beliscar algo
na rua, mas estar do lado do meu filho e da minha família é essencial.”
Na época de Carnaval, a estratégia para não ficar muito tempo
longe é usar ao máximo as facilidades do transporte aéreo para trabalhar
e voltar correndo.
“Vou de helicóptero, canto no trio e volto para casa”, explica.
A cantora é tão ‘família’ que havia planejado aumentar o número
de herdeiros em 2011. Porém, as coisas não aconteceram como almejava.
“Planejei
para o início do ano gerar mais um filho, mas não foi vontade de Deus e
me replanejei. Pedi, então, que enviasse um menino tão maravilhoso
quanto o Davi quando Ele achar que é o momento certo. E vou esperar.”
A cantora é ambiciosa. Quer família grande e não pretende parar no segundo rebento.
“Por enquanto, quero três filhos. Mas ainda não sei se ficamos nisso, vamos ver o que dá.”
O amor pela família é tão intenso que, durante a entrevista,
ela fica vários minutos só divagando sobre o empresário Márcio Pedreira e
o filho Davi, de quase 3 anos.
“Tenho sorte de ter casado com um
homem tão lindo e que é ainda mais gato por dentro do que por fora. Meu
filho também é lindo demais e será um grande homem. Um dia vou partir
deste mundo e deixá-lo. Mas sei que meu filho será um homem especial.”
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(Fonte: Site oficial da Revista)
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